
Jornada paroquial diária da Semana Santa de 2026
Quinta-feira Santa - Missa da Ceia do Senhor na noite
Uma Noite de Amor e Serviço
Nesta noite sagrada, reunimo-nos como família de Deus, gratos por um amor que nunca se cansa de nos alcançar. Três palavras para nos guiar: Lembrar, Servir e Amar.
Desde a primeira Páscoa (Êxodo 12:1-8, 11-14), quando Deus ouviu o clamor do seu povo e o conduziu à liberdade, até esta noite sagrada em que Jesus se reúne com seus amigos, vemos um Deus que deseja estar perto, salvar e permanecer conosco.
Na Eucaristia (1 Coríntios 11:23-26), Jesus se oferece completamente — seu Corpo e Sangue, dados por nós por amor. Cada vez que participamos desta refeição sagrada, somos lembrados de que Cristo ainda está conosco, nos alimentando e nos fortalecendo em nossa jornada. A Eucaristia é a presença terna e fiel de Deus em nossas vidas.
No Evangelho (João 13:1-15), Jesus nos mostra a profundidade desse amor de uma maneira humilde e terna. Ele se ajoelha para lavar os pés de seus discípulos, ensinando-nos que a verdadeira grandeza se encontra no serviço. Ele nos convida a receber seu amor e a compartilhá-lo com os outros, especialmente por meio de atos simples de cuidado, misericórdia e compaixão.
Ao iniciarmos o Sagrado Tríduo Pascal, que possamos permanecer próximos do Senhor. Que esta celebração renove nossos corações, aprofunde nossa gratidão pela Eucaristia e nos inspire a servir uns aos outros com a mesma humildade amorosa que Jesus nos demonstra esta noite.
Parabéns a todos os nossos irmãos sacerdotes!
Padre Sebastien SASA, PhD, MPA
Pároco da Igreja Católica de São Pedro e São Paulo
West Valley City, 2 de abril de 2026
Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor
Aos pés da cruz: Amor infalível
Hoje, permanecemos em silêncio diante do mistério da Cruz. As leituras não nos apresentam explicações, mas uma Pessoa: o Servo Sofredor, o Filho fiel, o Rei Crucificado.
Isaías (Isaías 52:13—53:12) fala de alguém que é “traspassado por nossas transgressões” e que carrega a culpa de muitos, não pela força ou retaliação, mas pela entrega silenciosa e pelo amor. Este Servo não salva evitando o sofrimento, mas entrando nele plenamente. Suas feridas se tornam a fonte da cura.
O Salmo (Salmo 31:2, 6, 12-13, 15-16, 17, 25) expressa tanto angústia quanto confiança. Mesmo no abandono e no ridículo, a oração permanece: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Essas palavras não são resignação, mas uma confiança radical, uma escolha de entregar tudo a Deus quando nada parece seguro.
A Carta aos Hebreus (Hebreus 4:14-16; 5:7-9) nos lembra que Cristo não está distante da dor humana. Ele é um sumo sacerdote que conhece o sofrimento por dentro, que orou com clamor e lágrimas e que aprendeu a obediência por meio do que suportou. Por isso, somos convidados a nos aproximar de Deus com confiança, sabendo que a misericórdia nos aguarda.
Na Paixão segundo João (João 18:1—19:42), Jesus permanece soberano mesmo na morte. Ele se entrega livremente, carregando a cruz, proferindo palavras de cuidado da cruz e, finalmente, declarando: “Está consumado”. Sua morte não é derrota, mas plenitude, a doação completa de amor até o fim.
A Sexta-feira Santa nos confronta com uma dura verdade: a salvação vem através do amor que se doa. Cristo sofre não porque Deus se deleita na dor, mas porque o amor se recusa a nos abandonar. A cruz revela a profundidade da solidariedade de Deus com a humanidade e o preço da nossa redenção.
Ao venerarmos a cruz hoje, somos convidados a entregar nosso sofrimento, nossas falhas e nossos medos nas mãos feridas de Cristo. Ao fazê-lo, aprendemos que, mesmo na escuridão, o amor permanece mais forte que a morte e que a entrega a Deus é o início de uma nova vida.
Padre Sebastien SASA, PhD, MPA
Pároco da Igreja Católica de São Pedro e São Paulo
West Valley City, 3 de abril de 2026
Sábado Santo, na Vigília Pascal, na Noite Santa da Páscoa.
Da Criação à Ressurreição: Deus Faz Novas Todas as Coisas
Nesta noite santa, a Igreja se reúne para ouvir — repetidamente — as poderosas obras de Deus. Desde as primeiras palavras do Gênesis, “No princípio, Deus criou os céus e a terra”, somos lembrados de que nossa fé começa não com nosso esforço, mas com a iniciativa amorosa de Deus. A própria criação é uma dádiva, trazida à existência pela palavra de Deus, ordenada, abençoada e declarada “muito boa”.
À medida que as leituras se desenrolam, vemos que Deus não abandona a Sua criação. Na provação de Abraão, encontramos uma fé que confia mesmo quando o futuro é incerto. Deus provê o necessário e renova a Sua promessa: abençoando não apenas uma família, mas todas as nações da terra. Isso nos ensina que a obediência e a confiança abrem caminho para a obra salvadora de Deus.
Na dramática travessia do Mar Vermelho, Deus age decisivamente para libertar o Seu povo da escravidão. O que antes era um obstáculo torna-se o próprio caminho para a liberdade. As águas que ameaçavam com a morte transformam-se em meio à vida. Este momento nos prepara para compreender o batismo não apenas como um ritual, mas como verdadeira libertação, onde Deus conduz o Seu povo para uma nova vida.
Por meio dos profetas Isaías, Baruque e Ezequiel, Deus profere palavras de consolo e renovação. Ele promete uma aliança eterna, água pura, um novo coração e um novo espírito. Essas promessas revelam um Deus que cura o que está quebrado e restaura o que o pecado danificou. A lei, a sabedoria e a misericórdia de Deus não são fardos, mas dádivas que conduzem à vida.
São Paulo, na Carta aos Romanos, deixa o significado desta noite inequivocamente claro: pelo batismo, somos sepultados com Cristo na morte para que possamos ressuscitar com Ele para uma nova vida. A Páscoa não se trata apenas do que aconteceu com Jesus há muito tempo, mas também do que acontece conosco agora. O pecado não tem mais a última palavra. A morte não tem mais o poder supremo.
Finalmente, o Evangelho proclama o cerne da nossa fé: “Ele não está aqui, pois ressuscitou”. O túmulo vazio anuncia que o amor de Deus é mais forte que a sepultura, mais forte que o medo, mais forte que a própria morte. O Cristo ressuscitado encontra os seus seguidores no caminho, enviando-os como testemunhas de esperança.
Como comunidade paroquial, somos chamados a viver aquilo que ouvimos. Somos um povo criado no amor, liberto da escravidão, purificado, renovado em espírito e enviado para proclamar a ressurreição com as nossas vidas. Que esta Páscoa renove a nossa fé, fortaleça a nossa esperança e aprofunde o nosso amor, para que a luz de Cristo brilhe através de nós num mundo que anseia por uma nova vida.
Padre Sebastien SASA, PhD, MPA
Pároco da Igreja Católica de São Pedro e São Paulo
West Valley City, 4 de abril de 2026
Domingo de Páscoa
Ressuscitados com Cristo: Um Chamado Pascal à Transformação
Na manhã de Páscoa, a Igreja proclama com alegria que Cristo ressuscitou, não como uma ideia ou um símbolo, mas como uma realidade viva que muda tudo.
Na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos (Atos 10,34a.37-43), Pedro testemunha corajosamente que Jesus, que foi morto, ressuscitou por Deus e agora oferece o perdão dos pecados a todos os que creem nele. A Ressurreição é apresentada não como um milagre privado, mas como uma verdade pública testemunhada por aqueles que comeram e beberam com o Senhor ressuscitado. A fé na Ressurreição nos chama a sermos testemunhas, proclamando com nossas vidas que a morte e o pecado não têm a última palavra.
O Evangelho segundo João (João 20:1-9) nos convida ao mistério silencioso da manhã de Páscoa. Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado encontram um túmulo vazio e os lençóis mortuários cuidadosamente dispostos. Nada ainda é totalmente compreendido, mas a fé começa a criar raízes. O discípulo amado “viu e creu”, mesmo antes de tudo fazer sentido. A fé pascal muitas vezes começa assim para nós também, não com uma compreensão completa, mas com a confiança de que Deus está agindo além do que podemos ver imediatamente. A Ressurreição nos convida a passar da confusão para a fé, do medo para a esperança.
São Paulo, na Carta aos Colossenses (Colossenses 3:1-4), nos lembra que a Páscoa não se trata apenas da ressurreição de Cristo, mas também da nossa própria transformação. Se ressuscitamos com Cristo, somos chamados a buscar o que é do alto e a viver de forma diferente aqui e agora. A Ressurreição nos convida a abandonar o que nos prende aos velhos caminhos do pecado, do desespero e da indiferença, e a viver como pessoas cujas vidas estão “escondidas com Cristo em Deus”. A Páscoa é a promessa de que nossas escolhas diárias, fundamentadas na fé, na misericórdia e no amor, participam da vitória de Cristo sobre a morte.
Ao nos alegrarmos com o Salmista (Salmo 118:1-2, 16-17, 22-23): “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos!”, que esta celebração da Páscoa renove os nossos corações. Que o Cristo ressuscitado fortaleça a nossa fé, aprofunde a nossa esperança e nos envie como testemunhas alegres da nova vida em nossos lares, em nossa paróquia e em nosso mundo. Aleluia.
Padre Sebastien SASA, PhD, MPA
Pároco da Igreja Católica de São Pedro e São Paulo
West Valley City, 5 de abril de 2026

